A carta chega um mês antes do aniversário do contrato: "seu plano será reajustado em X%". O dono da empresa fica sem saber se aquilo é normal, abusivo ou negociável. O reajuste do plano de saúde empresarial segue regras diferentes do plano individual, e entender essas regras é o que permite reagir. Faço essa análise todo ano com empresas de Curitiba e de São Paulo.
Aqui você vê como funciona o reajuste nas empresas com até 29 vidas e com 30 ou mais, por que o teto da ANS não vale para empresa, os dois tipos de aumento e o que fazer quando o percentual vem alto.
O momento de agir é antes do aniversário do contrato: é quando dá para negociar ou trocar sem pressa.
Por que o teto da ANS não vale para o plano empresarial
Todo ano a ANS divulga um percentual máximo de reajuste, mas ele vale só para os planos individuais e familiares. Nos planos coletivos, empresariais ou por adesão, o reajuste é definido pela operadora, seguindo regras da ANS que mudam conforme o tamanho do contrato. Isso explica por que o reajuste da empresa costuma ser diferente do número que aparece no jornal.
Até 29 vidas: o agrupamento
Nos contratos com até 29 vidas, a operadora junta todos os contratos pequenos dela num mesmo grupo e aplica o mesmo percentual a todos, uma vez por ano, no aniversário de cada contrato (Resolução Normativa ANS nº 565/2022). A operadora divulga esse índice, e ele vale para toda empresa pequena da carteira, inclusive o MEI.
Uma internação cara na sua empresa não define sozinha o seu reajuste
Todas as empresas pequenas pagam o mesmo índice
Não dá para negociar o percentual
Se a carteira da operadora usou muito, todos pagam
30 vidas ou mais: negociação e sinistralidade
A partir de 30 vidas, o reajuste é negociado entre a empresa e a operadora, e o principal fator é a sinistralidade: quanto a operadora gastou com o grupo em relação ao que recebeu. Um ano com muitas internações pesa diretamente no reajuste seguinte. Por isso, nessas empresas, cuidar da saúde da equipe e acompanhar o uso do plano tem efeito no bolso.
Lei nº 9.656/98, RN ANS nº 565/2022 e regras de reajuste de planos coletivos.
O segundo aumento: faixa etária
Além do reajuste anual, cada pessoa muda de preço quando passa para a faixa de idade seguinte. São dez faixas, de 0 a 18 até 59 anos ou mais, e os percentuais já vêm escritos no contrato. A última mudança é aos 59; depois disso, só o reajuste anual. Os detalhes estão no guia geral de reajuste do plano de saúde.
O que fazer quando o reajuste vem alto
O índice aplicado, o período de apuração e, com 30+ vidas, o relatório de uso do grupo.
Uma cotação com as mesmas idades mostra se vale ficar ou trocar.
Coparticipação maior ou rede regional podem compensar o aumento.
Com o plano ativo, a carência é aproveitada na operadora nova.
Muitas vezes a solução não é trocar de operadora, e sim de plano: subir a coparticipação de 30% para 50% ou sair de um plano nacional para um regional pode devolver a mensalidade ao patamar anterior. Mostro as alternativas no artigo como baratear o plano da empresa. E se a decisão for trocar, veja como trocar o plano da empresa de operadora.
Como ler a carta de reajuste
A comunicação do reajuste precisa informar o percentual aplicado e a partir de quando ele vale. Nos contratos com até 29 vidas, confira se o índice é o do agrupamento da operadora para o período: ele é o mesmo para todas as empresas pequenas da carteira. Nos contratos maiores, peça a memória de cálculo: o período avaliado, o valor pago à operadora e o valor gasto com o grupo.
O que é sinistralidade
Sinistralidade é a relação entre o que a operadora gastou com o grupo e o que recebeu de mensalidades. Se a empresa pagou R$ 100 mil em um ano e o grupo usou R$ 80 mil em consultas, exames e internações, a sinistralidade foi de 80%. Cada contrato define a meta, e quando o uso passa dela o reajuste costuma subir. É por isso que empresas com 30 vidas ou mais ganham com programas de saúde, uso consciente do pronto-socorro e coparticipação: tudo isso aparece na negociação do ano seguinte.
Nas empresas pequenas, o uso do seu grupo pesa pouco no índice, mas as mesmas medidas ajudam a manter a mensalidade sob controle quando a empresa crescer e passar de 30 vidas.
O que dá para concluir
Perguntas frequentes sobre reajuste do plano empresarial
Qual o limite de reajuste do plano de saúde empresarial?
Não existe um teto fixo como no plano individual. Até 29 vidas, vale o índice do agrupamento da operadora; com 30 ou mais, o percentual é negociado.
O reajuste empresarial de 2026 já foi divulgado?
Cada operadora divulga o índice do seu agrupamento e aplica no aniversário de cada contrato. Eu confiro o índice da sua operadora na análise.
Posso recusar o reajuste?
Não dá para recusar e continuar no mesmo contrato, mas dá para trocar de plano ou de operadora aproveitando a carência.
O MEI entra no agrupamento?
Sim. Contratos de MEI com até 29 vidas recebem o índice do agrupamento.
Reajuste por idade continua depois dos 60?
Não. A última mudança de faixa é aos 59 anos, nos contratos feitos a partir de 2004.
Trocar de operadora zera o reajuste?
A mensalidade de partida muda, e a faixa etária acompanha a pessoa. Na troca, o que se ganha é uma tabela nova; veja quanto custa o plano empresarial.
Me manda o valor atual, o percentual e as idades. Eu comparo com o mercado e mostro se vale ficar, ajustar o plano ou trocar.
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Regras de reajuste conforme a Lei nº 9.656/98, a Resolução Normativa ANS nº 63/2003 (faixas etárias) e a RN nº 565/2022 (agrupamento de contratos). Os percentuais variam por operadora e por contrato. Condições podem ser alteradas pelas operadoras. Conteúdo informativo, não substitui a análise da proposta.


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